quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Vida sem ponto final

Vida Vivida - Por Amanda Pieranti
Que os meus leitores me perdoem a ausência por mais de uma semana, mas fui vencida momentaneamente pelo vírus da gripe. Gente, uma gripe que eu jamais tivera, com as temíveis dores pelo corpo todo, como se tivesse levado uma surra das mais pesadas. Ainda não estou 100% recuperada, mas já podemos refletir juntos. E é quando estamos mais fragilizados que a mente voa. Voa longe e pensamos na vida. Vida esta que se fragiliza diante do corpo que padece.

Tá, não vamos exagerar. A minha gripe não foi fatal. Mas fiquei imaginando no sofrimento maior que pessoas têm por conta de doenças mais sérias. Naturalmente não sofremos a mesma dor, até por acharmos que está longe de acontecer conosco. É a velha história: acontece com o vizinho, mas com a gente não, até que acontece e nos damos conta de nossa mortalidade. Longe de mim querer que fiquemos pensando em assuntos tristes, deprimentes. Ao contrário, quero que valorizemos nosso estado maior: a vida. E ela vivamos em sua plenitude.

Assistindo a um programa de Cissa Guimarães, no GNT, em que fala de fé, nas várias religiões, me deparei com a história de um monge budista que perdeu a esposa aos 50 e poucos anos, vítima de um câncer no pâncreas. Ele conta que os dois foram se preparando para o dia da partida dela e quando o momento chegou, ele morreu para depois renascer e se reconstruir. Ela deixou uma carta se despedindo dos amigos e familiares, sem se lamentar, mas agradecendo por tudo que viveu. E ele deixa o ensinamento sobre tudo que passou.
Seria tão bom que pudéssemos nos despedir dos entes queridos de forma feliz, sem nos amargurarmos ou causarmos dor e tristeza nos que ficam...Mas nossa cultura ocidental não permite. O que tiro de lição, é que mesmo no pior momento da vida da gente, há o que se aprender. Seja para depois que a turbulência passar, você ser uma nova pessoa, ou para aquietar o coração dos que ficam. Falando desse casal que sofreu uma separação pela morte, o que mais ele fez foi valorizar a vida, mesmo diante da fragilidade da doença.

Ela fazia o tratamento, e quando estava acordada aproveitava as horas para meditar com o esposo e
conversar com ele. E nós, o que estamos fazendo em vida? Ou seria melhor perguntar, o que estamos deixando de fazer nas tantas horas que temos de nossa vida saudável? Eu lamentei compromissos que tinha desde os mais simples aos mais comuns, e olha que a vida iria seguir depois do tempo normal que a gripe tem para ser curada. Imagina se houvesse um ponto final? Do que me arrependeria de não ter feito?
Fato é que arrumamos desculpas para não termos feito isso ou aquilo e deixamos para o limite do tempo a realização dos pequenos prazeres da vida. Lamentei tudo que não pude fazer enquanto estive gripada, mas lamento muito mais quando a vida está pulsando e não estou aproveitando todo o seu vigor. Eu tenho sede de viver, e viver minha vida bem vivida! Vocês me acompanham?
 

Um comentário:

  1. Simplesmente sensacional seu texto Amanda! O que esse casal tinha era sabedoria e maturidade espiritual e isso não necessariamente tem a ver com religião e sim com fé! Lindo demais! Realmente, nós, ocidentais, não somos criados para encarar a morte dessa forma o que é uma pena...
    Beijos!
    Sheila Mendonça

    ResponderExcluir